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CARTA ABERTA à comunidade barroquinhense e a esses dias de tormenta - por Maicon Gabriel


No dia 20 de fevereiro, nas águas da Praia de Bitupitá, no litoral de Barroquinha - CE, fora dado como desaparecido o garoto Pedro Henrique, 12 anos, o incidente ocorreu na manhã desta quinta-feira, 20, quando o jovem participava de uma atividade de educação física de sua escola. Ao final da aula, o professor orientou, assim como as demais vezes, que os jovens após o término da aula se dirigissem as suas respectivas casas. Porém, isso não aconteceu e o garoto desapareceu no mar.

Desde do momento do desaparecimento, pescadores e comunidade se mobilizam nas buscas pelo jovem através de mutirões, porém, sem sucesso. Salientamos que foram acionados para o auxílio o Corpo de Bombeiros e Marinha, que não compareceram. O corpo do garoto Pedro Henrique foi finalmente encontrado após cerca de 22 horas após ter desaparecido nas águas do mar de Bitupitá, litoral de Barroquinha.

O corpo foi encontrado sem vida boiando próximo ao Pontal das Almas, já próximo a divisa com Cajueiro da Praia - Piauí.

Neste ínterim, as páginas de notícias foram tomadas por comoção, juntamente com alguns comentários que, violentamente, responsabilizavam e culpabilizavam o ocorrido à instituição de ensino. O que foge de sua autonomia, tendo em vista que todos os procedimentos padrões foram realizados e orientados pelo professor titular da disciplina. Ocasionando assim, uma carga demasiada de imputação, responsabilidade e terceirização do ato trágico. O que, agora, não gera fins práticos, para além do ódio destilado, em vez de palavras de compaixão e conforto aos familiares, colegas e amigos.

Texto destinado à comunidade barroquinhense e a esses dias de tormenta

CARTA ABERTA

“É próprio da natureza humana, lamentavelmente, sentir necessidade de culpar os outros dos nossos desastres e das nossas desventuras”, frase de Luigi Pirandell (Séc. XIX).

Lamento profundamente o ocorrido, e espero que os pais, amigos, familiares e comunidade, logo mais estejam bem, na medida do possível e acessível, pois sei que é uma tragédia vivida.

1. Muito vejo inquisidores nos comentários, muitos juízes artificiais, eles querem a cabeça de alguém, e pô-la numa praça pública a ser vista, para que o ódio e o sentimento de impotência pare de pesar sobre seus ombros. É lastimável. É preguiçoso. É pueril. Ódio nenhum fará a dor passar, e disso nós sabemos.

2. Existem contratos sociais bem determinados numa sociedade, um dos contratos é a presunção da veracidade/verdade. Quando um professor orienta aos alunos a irem para suas casas - assim como muitos alunos já confirmaram este fato, e assim disseram - é de presunção que a afirmativa que eles irão é verdadeira, uma vez que confirmaram que iriam. Não existe diálogo em autoritarismo, logo dizer que “não houve pulso firme na fala” é dizer que devemos sempre tratar com revelia e aspereza todos os nossos comandos, coisas que iriam profundamente afetar nossa sociedade. E quem pede que sejamos ásperos para transmitir verdade, não viveria feliz numa sociedade da desconfiança, rudeza e secura. 

3. As soluções parecem ser lógicas depois dos infortúnios, depois dos martírios. “Era pra ter feito isso”, “Não era pra ter feito isso”, “Se fosse eu”, “Porque isso”. Parem de solucionar problemas que não existem mais, que não ocorreu com vocês, e tão pouco esse ensaio mental de aparente solução mudará algo, assim como alguns que ocorrem com vocês simplesmente ocorrem. Desenhar caminhos para a solução de algo depois de ser realizado é patético, é um discurso mais caprichoso do que empático. Substituam suas palavras de ódio por de conforto, suas palavras de aparente ajuda opinativa por silêncio.

4. Nenhum professor LECIONA para o objetivo de LESIONAR, incapacitar ou incidir processos negativos na vida de uma pessoa. Nossa função - e sim, sou professor - é nortear nossos discentes para um futuro promissor, oportuno e crítico. Este é o nosso objetivo. No processo encontramos alguns entraves, e sei que o ocorrido ficará na lembrança de toda nossa classe. Pois é uma vida humana. Ratifico, nenhum professor procura/planeja o mal para seus alunos, este busca guiá-los na escola da vida, moralidade e civilidade. 

 Em suma, paremos de buscar culpados, responsáveis, réus. O ocorrido ficará lembrado na vida de todos aqueles que o amava, e o ódio - no agora - não ajudará em nada. Para a comunidade de Bitupitá; “Paz para o nosso tempo”. A família, “Que logo mais encontrem dias de sol nesta tormenta”. 

Atenciosamente, 
Maicon Gabriel

21 de fevereiro, 2025


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